
Ontem, hoje e amanhã.

Lembro-me perfeitamente de ter observado uma paisagem que parecia não ter fim. Mais perto de mim havia um lago, um lago gélido, com certeza, onde boiavam pedaços de gelo, fragmentos de uma fina película que antes cobrira aquela água. Lá longe, avistava grandes montanhas cobertas pela neve e vastas planícies, brancas também. Num canto, algo minúsculo em cima de um daqueles pedaços de gelo, em cima do maior de todos eles. Sim, um urso polar! Parecia estar a calcar algo, algo da cor vermelha de sangue e, à sua frente uma foca. Uma foca morta. À primeira vista, não iríamos reparar naqueles mamíferos, mas digamos que eram os elementos mais importantes da fotografia. E, principalmente, aquele urso era o motivo daquela imagem.
É um facto, aquele era um dos últimos animais que restavam. E graças a quem? A causas naturais ou à irresponsabilidade humana?
O aquecimento global tem como principal origem a poluição, assim como inúmeros problemas ambientais actuais. Esta poluição é proveniente de fontes de poluição antropogénicas (sim, o Homem é quem está a destruir o nosso planeta). Neste caso concreto, o oceano e os seus habitantes (e admitamos que o urso passa algum tempo dentro de água) serão irreversivelmente afectados pelo impacto do aquecimento global e das mudanças climáticas. Os cientistas dizem que o aquecimento global, ao subir a temperatura dos mares, irá elevar os níveis das águas, pelo derretimento dos calotes polares e acabará por mudar as correntes oceânicas. O aumento da temperatura causa, por conseguinte, um impacto em todas as cadeias alimentares. O fitoplâncton, por exemplo, que alimenta pequenos crustáceos, incluindo o krill que, por sua vez, alimenta focas e baleias. As focas acabam também por desaparecer, levando, então, à extinção de várias espécies. Espécies de variados animais estão directamente sob risco, também, porque não conseguem sobreviver em águas mais quentes. Um dado importante a revelar é o facto de algumas populações de pinguins terem diminuído em trinta e três por cento em partes da Antárctica, devido ao declínio do habitat.
Os media costumam anunciar que as primeiras vítimas do aquecimento global são os ursos polares, estas lindas e magníficas criaturas. Os que vivem na Baía de Hudson, no Norte do Canadá, até já passam fome, isto porque o período do ano em que o mar fica congelado tem diminuído cada vez mais e estes só conseguem caçar focas quando o mar congela, pois ficam à espera que estas subam para respirar. Além disso, muitas morrem afogadas (não são propriamente peixes), pois os calotes estão a derreter.
Uma ocorrência cada vez maior de doenças em animais está ligada ao aumento da temperatura, e claro que o “nosso amiguinho urso” não foge à regra. Diante desta situação cada vez mais caótica no que se refere ao aquecimento global, muito se fala e nada se faz. As autoridades mundiais e os homens da ciência reúnem-se. Tanto uns quanto outros estão apenas interessados em si mesmos: no seu bem-estar, as suas famílias, as empresas e tudo o resto. Por isso mesmo não se chega a nenhuma conclusão (e nem sequer se aproximam).
Se os Homens não pensam seriamente nos indivíduos da sua própria espécie, também não pensam nos animais que, para a maioria, não passam de seres inúteis ou produtos industriais. Salvem o planeta!
